quinta-feira, 3 de abril de 2014

Os Novos Vingadores - Motim

Oi, amigos Quadrinheiros !

Não sei se muitos de vocês estão acompanhando a coleção oficial de Graphic Novels da Salvat, mas eu posso dizer que está valendo a pena. Claro que uma coisinha ou outra não vai agradar a todo mundo, algumas escolhas de estórias, por exemplo, mas no geral está sendo bem legal.

Hoje vou falar de Os Novos Vingadores - Motim. Esta edição não tem algo que podemos nos aprofundar muito. Ela reúne as edições de 1-6 de New Avengers que foi lançada originalmente em janeiro de 2005 nos EUA, e se passa logo após Os Vingadores - A Queda ( que também analisei aqui ). Após estes eventos marcantes e com a dissolução dos Vingadores, já que o Tony Stark agora está com pouco dinheiro pra manter a equipe e a maioria dos membros não tem mais clima pra continuar após a morte do Homem-formiga, Visão e Gavião Arqueiro, esta edição mostra uma nova equipe formada pela necessidade.
Uma fuga em massa de uma das instalações de segurança máxima da S.h.i.e.l.d., apelidada de "A Balsa", acaba por reunir um grupo bem improvável de heróis. Após uma reflexão meio nostálgica, relembrando o que formou o time original, Steve Rogers conversa com Tony sobre reunir uma nova equipe, já que o mundo necessita de uma super equipe, principalmente considerando que 42 dos 97 presos da Balsa fugiram. Então, acontece uma improvável formação em que Capitão América e Homem de Ferro reúnem Homem-Aranha, Luke Cage ( Powerman ), Wolverine e Mulher-Aranha. Tentaram convocar o Demolidor também, mas ele recusou respeitosamente, já que está numa fase conturbada. Confesso que como sou um grande fã do Demolidor, fiquei torcendo pra ele recusar mesmo. Sou do tempo que os Vingadores eram do time B da Marvel e não vai ser fácil isso mudar pra mim. Ainda não houve um momento deles que me fez acreditar que eles poderiam superar os X-Men, Homem-Aranha ou o Quarteto Fantástico. Mas, é minha opinião, não é uma verdade. Cada um pode e deve gostar do que quiser.
É a mesma dupla criativa da "Queda", sendo que é tudo um pouco mais sombrio. Os desenhos de David Finch estão formidáveis, mas ainda me incomoda um pouco as expressões faciais e movimento. Acho que ele cria muita pose e pouco movimento, sabe. Posições improváveis, até irreais no meio das lutas que faz parecer que os personagens estão o tempo todo fazendo pose pra foto. É um desenhista que é muito bom pra fazer capas, suas estórias parecem uma sucessão de capas... hehehe. Mas nada que incomode a leitura. Já o roteiro de Brian Michael Bendis é bom. Ele explora até um pouco demais as características dos personagens, como o Homem-Aranha que não para de falar e fala piadinhas o tempo todo. Sim, falar demais é uma assinatura dele, mas é muito usada e isso acaba cansando. Até tive vontade de mandar ele calar a boca. E considere que o Homem-Aranha é um dos personagens que eu conheço melhor. Li tudo que foi publicado dele desde o começo até o retorno do Peter Parker após horripilante saga do clone, que me fez afastar do personagem.  
Então, não lembro de ele forçar tanto a barra. O Capitão está sempre responsável demais e até gostei da volta da Mulher-Aranha original. Mas, sei lá, é tudo meio forçado. Tem uma hora que todos são presos pelados... sério isso ? Necessário ? A única coisa legal desta parte, é a Armadura do Homem-de-Ferro trabalhando sob comando de voz pelo Tony. Mas, de modo geral, você não fica preocupado, não sente medo, não fica ansioso pra saber como vai terminar. Não sente ameaça real. Mas pode ser que a continuidade que esta sequencia abre, seja boa. Não sei, não li.

Enfim, é bem legal saber como os Vingadores se viraram após os eventos de "A Queda", mas nada que mereça uma edição chamada Graphic Novel. Sem diminuir demais a qualidade, digo que é uma HQ muito interessante, mas não tem nada de épico, nada de extraordinário, nada profundo que leve a reflexão, que acrescente algo a vida do leitor. Apenas um bom entretenimento, que pra quem curte os Vingadores, vale a pena ser lido, mas sem esperar uma qualidade de roteiro superior ao das HQ´s regulares mensais.
Abraços do Quadrinheiro Véio.










quarta-feira, 2 de abril de 2014

Os Julgamentos de Loki

Oi Quadrinheiros.

Peguei na livraria neste final de semana um encadernado capa dura do famoso deus nordico da trapaça da Marvel, Loki, hoje tão conhecido por todos devido aos filmes do cinema, mas que até poucos anos atrás seria conhecido como "Lóqui quem ?" na boca da maioria das pessoas.

O mais bacana é que, assim como o Thor, Loki também precisou ser adaptado pela Marvel pra fazer parte dos quadrinhos e depois, mais adaptado ainda pra poder estar num filme de cinema. Penso que todo este sucesso dos filmes revela que o mundo está cada vez mais dependente de heróis e ilusões. Antigamente, filmes assim não faziam sucesso, porque o pensamento das pessoas de até uns 20 anos atrás, era de que suas vidas dependiam delas mesmas e não de heróis, e não de outros. Elas buscavam inspiração em heróis. Hoje, com esta mudança cultural no mundo e a forma como as pessoas estão sendo criadas em cima de ilusões e super proteção dos mais velhos, o inconsciente coletivo se volta pra heróis, pra pessoas que vão cuidar delas, de modo que elas mesmas não precisem cuidar de si mesmas. Heróis sempre existiram, desde a Torah, todas as mitologias e religiões tem seus heróis e deuses. Porém as pessoas se inspiravam neles, buscavam ser como eles, hoje, ao menos a meu ver e posso estar redondamente enganado, estas pessoas dependem deles. Não foram criadas pra serem heróis, mas para serem salvas. ( Aqui em nosso país, então, nem se fala, né? Prova disso é o governo fazer tudo que quer e o povo ainda deixar a vida nas mãos dos políticos, em troca de migalhas.) O que percebo é que com a globalização da comunicação, começa a existir uma equalização na informação e com isso, uma mudança cultural no mundo. Não acho bom e nem ruim, apenas acho que é uma mudança que, como todas que vivemos, precisamos estar prontos pra isso. Que nos iludimos desde sempre, pra minha pessoa, é fato.

Retornando a mini-série após este "momento reflexivo", esta publicação da Panini Books, intitulada "Os Julgamentos de Loki" reúne a mini série "Loki" de 2010, onde vemos uma percepção dos deuses nórdicos, os aesires, de uma forma mais próxima a sua mitologia do que dos quadrinhos Marvel. Mesmo Thor, Odin, Sif, Balder e cia, todos os mundos, a árvore da vida, tem um direcionamento mais fiel a fonte original nórdica. Os elementos principais estão nesta mini e só por isso já merece atenção. Uma pesquisa muito bem feita por Roberto Aguirre-Sacasa, responsável pelo roteiro. Ele teve uma percepção sobre o Loki que, assim como no original, é mais "louco" do que mal. Loki era mal apenas nos quadrinhos, porque na época de sua criação, tudo deveria ser preto-no-branco. Vilão era mal, herói era bom e ponto final. O mundo via as coisas assim. O inimigo do Thor original é conhecido como o Trapaceiro, o Mentiroso, o que muda de forma, o Maldito, mas não tem essência má. Tem essência sombria, o que é diferente. O que vemos nesta série é um deus que sofre de inveja. É curioso como os antigos parabolavam ( existe isso ? ) o que não sabiam explicar. Entretanto a mitologia era toda reflexo deles mesmos.

Loki tinha inveja de seu irmão de criação, o "senhor perfeitinho", aquele que toda pessoa imperfeita normal adora odiar. Thor não é deus do trovão só por comandar o clima, mas porque tem temperamento tempestivo, irado. Fora isso, é uma pessoa justa e boa. Loki é mais mental, mais planejador, porém sempre cresceu a sombra do irmão e isso forjou a fogo uma personalidade vingativa e cruel, com percepção distorcida dos atos próprios e dos atos dos outros. Este comportamento todo baseado nesta inveja. E este é o ponto central da publicação. Um filho adotado que passa a vida toda querendo brilhar aos olhos do pai. Pai este que enxerga o filho da mesma forma que o mais velho, mas na visão distorcida do Loki, não. Pro Loki, o pai sempre prefere o Thor. É possível entender a loucura do Loki, entender, não justificar, mas tem algo mais... e a magistral sequencia da HQ faz a gente até torcer pelo vilão em alguns momentos. E sentir pena dele no final. Mostra que o mundo que vemos é consequencia das escolhas que fazemos, não apenas nos atos, mas, antecendendo estes atos, as escolhas que fazemos no moldar de nossos pensamentos mais internos. Os pensamentos que achamos que são nossos, mas que as vezes andam sozinhos. Muito show, né ?

Os desenhos não são os que mais me agradam, mas confesso que o que mais valorizo em HQ´s são movimento e expressões. E o Sebastián Fiumara sabe fazer isso. A mudança de desenhista na edição 4 realmente não me agradou, é como perder a linha. É como ver o filme com um ator e no final o mesmo personagem ser outro. Não gostei. A coloração é muito bem feita, manchada, fria, e segue o calor de cada situação. É bem artística. Aliás, chego a dizer que o traço é bem mais de ilustrador do que de desenhista. Existe, pra mim, esta distinção.

Amigos, recomendo muito a leitura, principalmente aos leitores que procurem algo além do convencional e que gostem de mitologia. Muito da mitologia nórdica é citada corretamente neste encadernado e vale a pena ler com carinho e atenção. Os HQ´s sempre refletem a época em que são produzidos, e o nível de entendimento do mundo.
Sou um grande fã de mitologia. Desde Mitologia Grega, Romana, Britanica, Egipcia, Nordica, Inca, Americana e a Brasileira. São todas muito parecidas, apenas diferente nos detalhes, mas na essência, todas partilham da mesma estrutura. Isso é algo a se pensar, não ?

Abraços do Quadrinheiro Véio !!




sábado, 29 de março de 2014

Watchmen

Falar sobre Watchmen não é tarefa facil pra mim. Watchmen é simplesmente uma das principais publicações dos anos 80, e é este o tom que darei neste post. Não vou ficar falando da obra hoje, do filme, e etc... mas do que foi ler Watchmen naquela época, durante a guerra fria. Durante um período de medo, quando ninguém sabia como e quando um doido poderia apertar um botão vermelho e uma guerra nuclear começar e destruir o mundo. E é neste clima que Alan Moore foi genial e escreveu sua obra prima, pra mim a mais definitiva.

Watchmen fala sobre medo, mais diretamente sobre
insegurança, sobre a paranoia que imperava sobre bomba nuclear. Não é sobre heróis, mas sobre pessoas que querem fazer a diferença, que querem salvar o mundo. Sério, gente. Nos anos 80 tudo que a gente mais via na TV era a Guerra Fria. Foi uma época de revoluções políticas no mundo todo, e a arte correspondia a isso. A arte ainda não era contaminada pelo marketing. Claro que ela queria vender, mas ela queria vender como arte e não como consumo. Havia uma preocupação em fazer estórias boas que vendessem e não estórias que vendessem muito mas não acrescentassem nada na vida das pessoas, como ocorre hoje. A arte anda tão perdida nos dias de hoje, que tudo que faz sucesso, seja HQ, cinema ou TV, nasceu antes de 1990. Podem reparar.

Tive mesmo a sorte de ter vivido e lido estes vigilantes na época em que foi feito. Por isso que Alan Moore foi contra esta série "Before Watchmen". Só entende que viveu aquilo, é uma arte vivida pra ser sentida e não apenas uma HQ a mais na banca pra nostalgicos comprar e se decepcionarem. Ou pros novos leitores, sem identidade, ficarem lendo algo feito pro dinheiro deles e não pra eles. Onde estão as estórias dos anos 2000 ? O que fala da realidade de hoje ? Não tem... o povo de hoje é mais alienado, prefere ser iludido, e deixar pros que pensam dominar o mundo atraves do consumo e do dinheiro. Paciência. Meu blog, minhas palavras, minha opinião. Mas nada disso é uma verdade absoluta, é só o que eu vejo. E na minha limitação humana posso e espero estar enganado. Discorde a vontade, mas pense sobre isso tudo que estou compartilhando com você neste momento.

Bom, dito isso, Watchmen é algo que deve ser lido e relido muitas vezes e em
várias fases da sua vida. O medo e a constante sensação de "fim de mundo" que ele projeta é muito bem feita. E isso é assim porque traduz pra HQ o sentimento dos americanos na época. Quando você vê um Dr. Manhattan surgindo, justamente como um "filho do átomo", a pura e simples personificação da insegurança mundial. A transcrição de uma consciência tão mortal e superior que mostra como somos todos pequeninos, e simbolizado pela simplicidade do átomo mais simples que é conhecido, o hidrogênio. Ele resume tudo, o quanto a existência era efemera, ao menos era como nos sentíamos. Então, temos o Comediante, o linha dura

realista, pé no chão, desesperado. O Rorschach que brilhantemente refletia o psicológico, o inconsciente coletivo na individualidade humana, fruto de toda a mudança e expectativa de morte da Guerra Fria. O genial Ozymandias simbolizando o conhecimento humano, a base de todo conhecimento egípcio que é a origem de 90% de todo conhecimento espiritual que vivemos hoje e o Coruja, o humano comum, com a humana comum, a Silk Spectre. A trama toda se resume em unir a humanidade, em fazer todo mundo entender que por mais que tudo pareça separado, aos olhos do cosmos, somos todos uma só coisa. E infelizmente é preciso um grande cataclismo pra todo mundo perceber isso, e é isso que o Ozymandias, o homem mais inteligente do mundo, percebe. E quando o "deus" Dr. Manhattan entende isso, ele mesmo aprova. Aliás, preste muita atenção na profundidade dos diálogos, todos os diálogos dizem mais do que estão dizendo.

Outra passagem muito fodastica é justamente o diálogo que o John tem com
a Laurie em Marte. A forma como ele percebe a magnificência da vida é muito linda. Um ser que pode ver tudo no universo físico percebendo que, mesmo ele, é apenas uma produção material, e que sempre haverá algo maior, algo que pra uma pessoa que dominou tudo no plano material, agora precisa, ele mesmo, entender o que é a vida e por isso opta por sair pra "criar". Olha que majestoso ? Olha a espiritualidade disso. Moore consegue isso em tudo que ele escreve. Desde Monstro do Pantano à 300. O simbolismo de um simples pedaço de vidro desmoronar uma estrutura inteira... representando a fragilidade do pensamento.

E o que dizer de Dave Gibbons ? Sério gente... o traço e as expressões dele nesta série são tão bem desenhadas, que a gente gela a espinha. Watchmen dá medo, traz reflexão... e a quantidade de simbologia presente é tão grande, que leva uma vida pra encontrar e refletir sobre todas elas. A coloração é toda fria, o tempo todo John Higgins deixou ela plana e sóbria, falando por si só. Sério, ler Watchmen e não se emocionar, não ficar pensativo, não repensar sua vida, suas escolhas e seu papel no mundo, é perder tempo. Não faça isso com você. Não a leia por ler, vá ler qualquer porcaria dos anos 2000, mas só leia Watchmen se estiver disposto a entender que HQ pode ser arte.

Se você ainda não conhece ou leu, recomendo Watchmen... aliás, não, não
recomendo não.
Creio que algumas HQs tem um conceito artístico tão ligado ao ambiente histórico, que pra entender ela na sua essência e profundidade, seria preciso ter vivido a época. O filme é muito bom, genial, mas não conseguiu transcrever isso, virou entretenimento. Aliás, como tudo que é entretenimento hoje em dia, descartável e consumível.

Era isso o que o meu xará Alan Moore queria dizer ao desaprovar a produção. Não tem nada a ver trazer Watchmen pro hoje, porque muita gente não pode entender a mensagem dele. E como artista, ele não quer só vender, ele quer ser compreendido. Ele quer que as pessoas entendam a mensagem e não apenas comprem a obra dele. Acho que o mundo precisa se tornar mais interessante de novo, ter pessoas originais fazendo suas idéias e não pensando "o que eu posso fazer que o outro possa querer". 
Bom, falei demais pro meu tamanho. Em alguns assuntos, ainda sou um "Velho Ranzinza".

Abraços do Quadrinheiro Véio.




quinta-feira, 20 de março de 2014

Capitão América - A Escolha

Olá amigos Quadrinheiros !

O post de hoje é sobre a mais recente edição da coleção oficial de Graphic Noveis Marvel da Salvat aqui no Brasil: Capitão América - A Escolha. Este é o 15o lançamento, mas é o volume 55 da coleção e mais uma vez temos uma reunião de uma mini-serie de 6 partes do soldado bandeiroso da Marvel. ( deu pra notar que não é o herói que mais simpatizo, né... ) e nesta edição podemos ver como os americanos são forjados nas guerras. Claro que sendo um personagem que é um capitão do exercito americano e que foi criado durante a guerra mundial, não teria como ser diferente. E basicamente um thriller motivacional, inspirador, com falas heroicas e idealismo puro. Bem Capitão América, bem americano. Sem vingadores ou vilões fantásticos. Apenas os humanos e suas humanices.

De modo geral eu classifico a edição como boa.
Confesso que os traços do Mitch Breitweiser não me agradaram muito, mas a coloração de Brian Reber é primorosa e perspicaz. Não que o Mitch não seja um bom artista, porque é. Seu desenho tem movimento e sentimento, mas, não sei... acho que é um lance de "gosto pessoal" mesmo. Quem sou eu pra avaliar tecnicamente, né ? O fato de eu ser um leitor a 3 décadas não quer dizer que eu entenda tecnicamente, apenas apurou meu conhecimento do que eu gosto e do que não gosto.

Como ia dizendo, a coloração é bem sombria, fria, como uma guerra tem que ser. Tons claros, azuis e beges que dão mesmo um ar de distanciamento, como se ele quisesse que participássemos mesmo de fora da estória, sem estar lá dentro. Impossível, a gente sente um no na garganta, um gosto amargo o tempo todo porque a linha que o roteirista seguiu é tão emocional que faz a gente se sentir desamparado pelo que o Capitão está vivendo, ao mesmo tempo que faz com que vivenciamos um sentimento de "caraca, não faço nem metade do que este cara faz pelos outros... que M#&%@ de ser humano eu sou."


É um roteiro que leva a gente a refletir. Tudo acontece durante a guerra do
Afeganistão, e o Capitão está morrendo e precisa escolher um sucessor. Esta é a escolha do título. Ao final, sentimos que ele está escolhendo a todos e não apenas o soldado que está com ele. O Capitão é mostrado como sendo realmente um grande soldado. Um que nunca existiu e nunca existirá, porque a dedicação dele não é humana. Mas é bonito de se ver e faz a gente se questionar porque ficamos esperando que uma pessoa seja o como Steve Rogers ao invés de todos nós nos tornarmos alguém como ele. Isso é utópico, mas imagine uma sociedade em que cada um faz o melhor possível a cada dia pra que o mundo seja melhor, utilizando de coragem, honra, lealdade e sacrifício. Pois é... pense aí.


Em alguns momentos você deseja que o livro termine logo porque o sofrimento é grande. Confesso que em certo momento a arte parou de me incomodar e eu só queria ser aliviado da angustia do soldado que o Capitão América escolheu pra ser seu substituto, a pessoa que deve sair da caverna pra descobrir quem é de verdade. David Morrell, o argumentista desta edição, mostra que entende de guerra, entende do coração e mentes de quem vai no frionte. Pra quem não sabe, nos anos 70 Morell escreveu o livro "Rambo - First Blood", que viraria filme nos anos 80. Preciso dizer mais ?

A famosa metáfora da caverna é a base da transformação que esta HQ desvela a nossa mente. Se você ver esta edição e não ficar no mínimo pensativo sobre sua atuação no mundo, talvez devesse rever seus valores e princípios. Olhar pra dentro de você e descobrir o que te faz humano. Talvez descobrir da mesma forma que o Homem Molecular aprendeu com o Dr. Destino em Secret Wars: " Seu limite é aquele que você mesmo se impôs".



Bom, é isso.
Comentem, curtam, compartilhem.
Nada do que coloco aqui é só meu. Embora divida a minha opinião, gosto de saber a opinião de vocês, gosto de que discordem de mim, de conversar, saber opiniões e percepções diferentes da minha.

Abraços do Quadrinheiro Véio.



terça-feira, 18 de março de 2014

Chico Bento: Pavor Espaciar

Olá, Quadrinheiros.

No post de hoje vou falar de um personagem que é o meu preferido do Maurício de Souza: Chico Bento. Naturalmente por eu ter vivido a vida inteira no interior de SP, e tendo meus pais mais do interior ainda, tenho muita familiaridade com as situações deste caipira apaixonante que o Mauricio criou.

E esta publicação em especial é muito legal, porque faz parte da séria Graphic MSP, na qual o Maurício convida outros artistas pra produzir hq´s com seus personagens e são lançadas em capa duro, formato de luxo. E esta em particular é mesmo muito luxuosa, não apenas pela impressão e capa, mas pela qualidade da estorinha. Pavor Espaciar é mesmo Especiar ! ( com o perdão do trocadilho... )

Uma característica muito rica do Chico Bento é sua inocência ( aliás de todos os personagens do MS, a inocência é o que faz ser "bonitinho" ) e quando o Chico e o seu primo Zé Lelé são abordados e abduzidos por alienígenas, eles não sabem nem o que pensar sobre isso. Segue-se uma hq divertida, com poucos diálogos, mas com uma arte diferenciada, linda, com movimento incrível. Realmente dá a impressão que eles se mexem.


O autor Gustavo Duarte, que também é do interior de SP, foi muito criativo e fez uma coisa que eu adoro: colocou muitas referencias a cultura pop. Podemos encontrar referências que vão desde Ultrage a Rigor e Michael Jackson até programas do History Channel e Guerra nas Estrelas, isso citando por baixo, falando pouco. A coloração é bem simples, mas os traços que são bem diferentes dos originais conquistam muito e passam o ar de "matuto". E além disso a participação do Torresmo e da Giserda são essenciais. O porquinho jogando Sabbac é hilário.



Não posso falar mais sem entregar o enredo da hq e acho que boa parte das risadas vem do inesperado e também dos clichês que são usados de forma brilhante, diferente da maioria, inusitadamente. 

Recomendo mesmo.

Abraços do Quadrinheiro Véio.





sábado, 8 de março de 2014

Motoqueiro Fantasma - Estrada para a Danação

Olá Quadrinheiros.

Perdoem esta semana sem posts, não posso nem dizer que foi por causa do Carnaval, porque não curto esta festa ridícula, mas foi por não estar com "saco" pra escrever mesmo.

Esta semana peguei minha edição da coleção Salvat, a Motoqueiro Fantasma - Estrada para a Danação e confesso que já fui muito fã das estórias do cabeça de fogo, mas havia me distanciado um pouco. Em matéria de sobrenatural sempre gostei mais da DC e na Marvel só o Motoqueiro salvava mesmo. Eis que esta edição me veio como um solapo na bochecha, porque eu realmente gostei muito. Me lembrou até os tempos bons de Spawm.
Nâo vou ficar contando a origem do personagem, acho que todo mundo já sabe que ele fez um pacto mal sucedido com Mefisto ( aliás, minha personificação do mal de HQ preferida. )
Pra começar eu não sabia que o Motoqueiro estava preso no Inferno, e pelo roteiro, já tinha 2 anos que ele andava perdido por lá. Todos os dias lutando pra fugir e todos os dias sendo destroçado pelos demônios e sendo reconstruído no dia seguinte e vivendo esta agonia.


Até que um anjo Malachi ( que me lembrou o Mal'akh do livro do Dan Brown. Mal'akh é o nome do vilão do livro "O Simbolo Perdido", e é o nome de um anjo caído ) chega e pede que ele ajude a pegar um demônio que fugiu, um tal Kazann e pra isso tiraria ele do inferno e depois de feita a missão, daria liberdade pra ele. Sempre curto estes lances de anjos contra demônios e etc... acho muito bacana, ainda mais quando colocam estes demônios como nem tão maus e burros e os anjos como nem tão bons e espertos.

Aliás, adoro quando retratam os anjos como invejosos e é o que podemos ver nesta estória. Além disso temos um Motoqueiro bem fantasmagórico, bem focado no que ele quer, falando pouco, agindo mais, só pensando na sua recompensa.
Vemos pouco de humanidade dele, exceto o principal: sua sede de liberdade !
Tem um anjo e um demônio que estão ao encalço de Kazann também. O Demonio Hoss é bem engraçado, lembra até o comportamento do Violador enquanto palhaço do Spawn, embora o visual nem tanto. Já o anjo é uma mulher de nome Rute, que bota pra quebrar. Totalmente séria e sanguinária, sai matando qualquer um pra chegar onde quer. A violência dela é impressionante. É tããão bom ver violência deste nível nas HQ´s de novo. ( heheheh ).
Escrita muito bem por Garth Ennis, o roteiro segue uma linha dramática, diálogos muito bem escritos e um humor meio escrachado, bem no estilo dele. Piadinhas dos demônios, enganações e uma boa virada no final. Só é uma pena que não seja mesmo uma Graphic Novel, mas a reunião das 6 primeiras revistas do Volume 4 de Ghost Rider. Pena porque não tem um final, apenas uma conclusão e você fica querendo saber o que acontece depois. 

De qualquer forma, vale muito a pena, até mesmo porque os desenhos de Clayton Crain são verdadeiras obras de arte, muito bem desenhados, e principalmente pintados. Todo o seu desenho é feito de modo digital, e podemos perceber isso. Eu que torço o nariz pra algumas tecnologias tenho que dar o braço a torcer porque nesta edição da coleção da Marvel o cara detona.

Recomendo a leitura, não dá vontade de largar o livro até terminar. Acho que toda HQ deveria ser assim, mexer com nosso emocional, fazer a gente torcer pelos personagens, até ficar especulando o que virá a seguir e ainda ser surpreendido no final.

Ufa !!

Abraços do Quadrinheiro Véio !